Eficiência Energética

O IVIG desenvolve projetos na área de Eficiência Energética e transformou sua sede, na Ilha do Fundão (UFRJ), em um complexo com construções sustentáveis. Os prédios foram construídos com tecnologia e materiais alternativos, que podem garantir uma redução de 60% as emissões de CO². Os pesquisadores do IVIG identificam e desenvolvem materiais e tecnologias para substituir produtos e técnicas convencionais que não têm o compromisso de ser sustentável. Portanto, para justificar o rótulo de casas ecológicas, as edificações sempre têm como proposta a redução das emissões de CO². São telhados com estruturas de bambus e telhas de celulose da fibra de coco. Para as paredes, tijolos de solo-cimento (mistura homogênea de solo, cimento e água). Portas, só com madeira certificada, jamais extraída de florestas primárias.   

Há também o desenvolvimento de novos produtos. Um exemplo é o cimento ecológico. Resultado de uma parceria com o Laboratório de Estruturas da Coppe/UFRJ, o produto tem como principal insumo o pó de cerâmica proveniente do reuso de tijolos quebrados. O processo de reciclagem deste material, a princípio inutilizado, garante a produção de um cimento com redução de 40% na emissão de CO². Para fechar a conta de quem polui mais ou menos, os pesquisadores colocam na ponta do lápis a emissão de CO² em toda a cadeia produtiva do insumo, da extração da matéria prima, passando pelo transporte até a vida útil do produto. O único ponto fora desta curva com peso na conta final é o fator escala comercial. Na basta o material alternativo poluir menos, tem que ser competitivo economicamente. Dentro desta metodologia, os pesquisadores do Ivig criaram um índice: o Energo Intenso (EI), que indica quanto uma atividade tem de gasto intensivo de energia na sua produção. A conta é aplicada primeiro nos produtos convencionais, depois nos possíveis substitutos para medir a eficiência energética de cada produto.

Uma das principais descobertas das pesquisas realizadas é que, ao contrário do que os pesquisadores acreditavam, o grande vilão da construção civil não é a obra inicial para levantar a edificação, mas sim, as manutenções ao longo da vida útil do imóvel, que é de aproximadamente 60 anos. Neste período, em média, são realizadas seis grandes obras de manutenção. É o que os pesquisadores chamam de  Energia Operativa – lenta e prolongada (manutenções) – em contrapartida a Energia Produtiva – intensa e rápida (construções). A descoberta tornou ainda mais importante o investimento em construções sustentáveis e planejadas para que as futuras manutenções não causem tanto impacto.

Em outra linha de pesquisa, o IVIG desenvolve o Sistema de Naturação e Enverdamento de Superfícies Construídas, Coberturas e Vias. Neste trabalho, os pesquisadores instalaram termo sensores para monitorar a temperatura de três casas por um ano, além de manter uma estação de meteorologia no quintal. A primeira edificação é coberta pelo chamado telhado e paredes verdes (plantas), além de ser construída com material alternativo. A segunda, conta apenas com as paredes de solo-tijolo, as telhas de fibra de coco e outras soluções arquitetônicas para melhorar a ventilação. A terceira é uma casa convencional. A proposta é mensurar com exatidão a eficiência energética de cada construção e o conforto térmico que podem proporcionar em seu interior.